Triteza, fique aqui, por favor.

Não sei o que dizer. Nem por onde começar. Sabe quando tudo está perfeito e você deveria estar feliz – o que é raro – e ainda assim você não está? Parece bobeira não aproveitar o momento. Talvez eu goste mesmo da tristeza. Passamos tanto tempo juntos que agora eu a quero como um adolescente que quer o amor verdadeiro na escola. Isso é ruim? Disseram que é preciso ser triste pra saber valorizar a alegria, mas e se comigo for tudo ao contrário? E se felicidade pra mim for essa angústia que faz seu me sentir vivo? E se felicidade pra mim for olhar pro céu e ter lembranças boas que eu sei que, agora, serão apenas sonho? Talvez eu seja louco por querer viver assim. Não sei. Acontece que os sentidos foram todos misturados, e agora eu já não sei o que é certo ou errado nessa vida que é só minha e eu não sei viver direito. Seria mais fácil se tudo fosse sonho, onde o sol brilha forte mas não faz calor, há sempre um brilho e um ar gélido que deixa tudo suave. E no sonho você só vive, não tem que pensar demais. Sei não. É muito errado isso da gente sonhar e acordar depois. Muito errado a gente experimentar essa coisa de sonhar e não poder viver lá pra sempre, só pra nos deixar pensando em como seria bom se fosse tudo verdade. Enfim, dizem que é necessário ser triste uma vez pra reconhecer a verdadeira alegria. E eu quero tanto ser feliz. … Então, dona tristeza, não me deixe jamais. Não me deixe que eu preciso de você. Fique aqui comigo, por favor.

Pedro Araújo

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2 comentários sobre “Triteza, fique aqui, por favor.

  1. É notório teu conhecimento acerca das vicissitudes da vida, vicissitudes essas que norteiam todo agir humano; igualmente patente é tua capacidade literária. Saber que, numa conjuntura social marcada pela superficialidade, ainda existem pessoas sensíveis aos ternos sentimentos que a boa literatura tem o condão de despertar, renova as esperanças e traz a baila os novos ares da oxigenação educacional de uma nação que poreja por pessoas com tamanho senso de realidade. Quanto à tristeza, caro Pedro, meu xará, aliás, não te inquietes com tão pouco, para usar a expressão do profeta romântico, Jesus. Homens existiram que fizeram da tristeza seu pavilhão de guerra, vide Nietzsche e Schopenhauer; foram bem sucedidos, guardadas as devidas proporções. Se tua tristeza é prenúncio de felicidade, então viva esse sentimento como que fosse o derradeiro. Só é capaz de assim agir quem não toma como razões que movem a consciência os interesses; destarte, continue assim, vivendo na flor lúdica do sentimento, sem dar margem a que o arrependimento do porvir não tome as feições de uma transação. Se é o amor o teu motivo, então se sacrifique por esse nobre motivo, tendo por desiderato a felicidade de uma mulher, a tua! Felicidades, espero ter o prazer, meu caro, de continuar lendo tuas construções.

    Um amigo,
    Petrus Oliviacus

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