Se mil anos vivesse
Mil anos te tomaria.
Tu.
e tua cara fria.
Teu recesso.
Teu encostar-se
Às duras paredes
De tua sede.
Teu vício de palavras.
Teu silêncio de facas.
As nuas molduras
De tua alma.
Teu magro corpo
De pensadas asas.
Meu verso cobrindo
Inocências passadas.
Tuas.
Imagina-te a mim
A teu lado inocente
A mim, e a essa mistura
De piedosa, erudita, vadia
E tão indiferente.
Tu sabes.
Poeta buscando altura
Nas tuas coxas frias.
Se eu vivesse mil anos
Suportaria
Teu a ti procurar-se.
Te tomaria, Meu Deus,
Tuas luzes. Teu contraste.

Hilda Hilst

In: “Poemas malditos, gozosos e devotos”, 1994.

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