Agosto

Agosto tem esses ares de mês vazio, sem vida. Parece, à primeira vista, um mês sem importância ou valor algum. Não há solstícios nem equinócios. Não há o florescer da primavera e nem o despetalar do outono. Não há feriados nacionais em agosto. No sul, o inverno frio; no norte, o verão intenso. Nada de especial e significativo nos vem a mente quando pensamos em agosto.
Agosto não tem cor.
Na melhor das hipóteses, podemos amar esse mês por causa de nossas lembranças, das experiências vividas e revividas nas nossas memórias sempre que o oitavo mês bate à porta.
São sobre essas lembranças que quero falar.
Lembranças de um agosto frio. O frio na barriga. As sensações em cores quentes, olhos fechados. Os sonhos doces. As loucuras de amor. De agosto, gosto. Não tem desgosto por Agosto ser um mês sem gosto. E mesmo que seja vazio de tudo o que lhe falta, agosto é mês de coisas pra lembrar. E lembranças são assim mesmo, parecem que nem existem. E se não estiverem em fotografias ou em papeis de carta, nem ocupam espaço. Mas o que quero dizer aqui é que acredito que as melhores lembranças são de Agosto. E isso me dá uma vontade de querer mais. Quero mais chuva, mais beijos, mais cheiros, mas choro, mas frio, mais medo. Quero que agosto seja cheio coisas boas, de lembranças eternas e de amores passageiros.

Pedro Araújo

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