Inteiramente

Durante toda a minha vida eu conheci pessoas diferentes. Boas, más. Pessoas. Gente que me ensinou a sorrir e chorar, gente que ficou marcada em mim como tatuagem. Atores que entraram em cena, cumpriram seu papel e saíram por detrás das cortinas, alguns mesmo sem se despedir. Outros que tiveram papel principal e arrancaram sorrisos e lágrimas da platéia (e também de mim). E, quando alguém chega e ganha destaque, o meu coração incerto se entrega de vez, sem querer saber de passado ou de restrições. Amo com tanta intensidade que sou capaz de morrer por cada amor que passou por minha vida. Por uns, com mais facilidades; por outros, com certa dor. Mas morreria de amor por todos aqueles que deram significado à minha vida e trouxeram amor, derramando sonhos onde havia incerteza. Também tiveram aquelas pessoas me marcaram tão fundo que viraram cicatrizes. Mas não isso não é triste. Triste é quando as máscaras impedem que conheçamos a beleza dos olhos de alguém. Triste é quando o fingimento é tanto a ponto do espelho não refletir o que é real. Tenho medo de pessoas que se escondem em armaduras, vivendo em pedaços de si, e que olham os outros apenas como um pedaço, e não como um todo, assim como olham pra si mesmas. Não percebem que só podemos amar o todo.

Pela minha vida também passou muita gente que foi metade, que me viu metade, que não soube ser inteiro, completo. Verdade. Às vezes o olhar do outro não consegue comportar tudo o que há em nós, porque só olhar não é suficiente: é preciso sentir. Sentir, ouvir, calar, abraçar. Às vezes, pra poder entender de verdade o outro, uma lágrima precisa cair. Quer mais bonito que isso? O nascer de uma amizade por uma lágrima, quase como se fosse a água necessária para que uma semente possa brotar. Acho que, na realidade, a carência é tanta que há uma procura desesperada por alguém em quem confiar, alguém que se importe com sentimentos de verdade. Alguém que possa escutar os segredos mais secretos. Alguém que possa ligar numa noite estrelada e perder as horas falando ao telefone. Alguém que saia pra tomar sorvete de menta numa tarde quente. Gosto de gente que invade sua vida de repente, sem pedir licença, e te arranca os sorrisos trancados, que você esperou a semana inteira pra poder soltar. Esperou a vida inteira pra poder soltar. Preciso de pessoas que se encaixem em mim como peças de um quebra-cabeça. Que ao se encaixarem me permitam ser mais. Para poder ser inteiro, para completar. Chega de metades. “De todos os tipos de pessoas que conheci e passaram pela minha vida, eu sempre gostei mais daquelas que sabem nos tocar sem nem precisar encostar um dedo. Das que entram inteiras quando a gente já se acostumou com metades.” Só peço uma coisa: se não tiver a intenção de ficar, não crie ilusões. Mas que de cada encontro, permaneça uma saudade pra lembrar. Não tenho medo de amar as pessoas pensando perdê-las depois. Eu aprendi e sei que, às vezes, por mais que você queira evitar, as pessoas saem da sua vida. Por mais cruel que pareça é assim que a vida é. Não tenho medo, só quero coisas verdadeiras, inteiras. Gente que seja em mim e crie sentidos em minha vida. Abraços apertados numa noite fria. Quero amores enlouquecedores que acabem em duas semanas, um mês, ou que durem a vida inteira. Mas o que eu preciso mesmo é de gente que se dê inteira, que me ame inteiramente. Nem que seja pra morrer de saudades, pois de uma coisa tenho certeza: eu não quero viver de metades.

Pedro Araújo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s