Palavras em Travessia

Empilho palavras
sob o sol ardente,
para não empalhar mágoas
à sombra dos amores.

Observo como o vento rendilha
a árvore para que eu consiga,
nessa azulada manhã de frio,
rendilhar-me
e deixar de ser, repetidamente,
a palavra que te aflige
e te pereniza.

Caminho à beira-mar
para aprender a ser cais, somente,
e não mais âncora ou elos,
nem casco musgoso de barcaça.

Empilho palavras
para que, ao sol ardente,
virem cinza em cores
e me surpreendam a cada estação
com a sempre nova e rotineira
des/ventura do amor.

(Poema 43)

 

Arriete Vilela

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s