Medo de amar

A areia do tempo corre entre os meus dedos. Ai, que medo de amar! (Vinícius de Moraes)

medo1Esses dias estive pensando muito. Em várias coisas, mas confesso que na maioria das vezes foi em você.  Alguma coisa que não sei explicar ficou me martelando aqui dentro. Um sentimento nem bom nem ruim. Uma mistura dessa vontade que tenho de você  e desse medo de te amar, esse medo de que tudo seja sonho exclusivamente meu. O amor é muito complicado. E depois de todas as quedas que você leva ao longo da vida, depois de tanta dor, você fica querendo evitar mais ferimentos. A verdade, a mais pura verdade, é que o amor dói, é simples, se não tiver sofrimento não é amor. Mesmo que a gente tente maquiá-lo, tente colocar brilho ao seu redor e dizer que o amor é lindo; não é possível amar sem sofrer.  E não estou dizendo que isso é ruim, meu bem. Entenda. É que, durante a minha vida, as dores foram tantas que parece que o meu coração ficou aterrorizado, congelado pelo medo, engessado por mim mesmo numa tentativa inútil de protegê-lo. E aí você chega com seu sorriso e coloca meu coração em xeque.

Lembro-me de quando eu perdia os meus bichinhos de estimação na infância. A dor era tão grande que depois de chorar eu dizia a mim mesmo que nunca mais teria bicho nenhum, porque eles morrem e a gente fica triste. E aí, para evitar o sofrimento, eu não me apegaria a nenhum. Tolice. Me esqueci de que você só sofre pela perda de algo quando aquilo significou muito pra você.

O mesmo acontece com os amores. Tem dias em que a gente está tão cansado de sofrer que prefere não se importar mais, deixar de se apaixonar, só pra ver se a dor não desatina o peito. Às vezes, meu bem, tenho a ligeira impressão de que deixar de amar é a maneira mais fácil de não sofrer. E aí penso em você. E inevitavelmente a minha cabeça nos imagina sorrindo abraçados. E sonho com teu beijo doce. Confesso que tenho medo de me machucar com seu amor, mas a vontade que eu tenho de te amar e ser feliz com você é tão grande que me toma por inteiro e eu me atiro, sem querer saber de consequência alguma, como alguém que se joga sem paraquedas de cima de uma avião. Uma queda livre com o vento batendo forte no rosto, a emoção correndo nas veias, acelerando o coração, a melhor sensação do mundo durante a trajetória. E no fim, o que mais valeu foi todo o tempo e toda a emoção da descida, e não o impacto final. E ainda que você me ache exagerado pensando que eu estou comparado o amor à morte, digo que sou exagerado mesmo. Amar é morrer pra si mesmo e viver por outra pessoa. Penso que a felicidade é essa coisa inexplicável que faz dois apaixonados exalarem amor pelo olhos, pela boca, pelo corpo. Percebi que só é possível ser feliz de verdade se eu amar de verdade, sem medo. E se o amor não durar, não tem problema. Eu juro te amar infinitamente durante o tempo que durar. Só não quero passar a vida deixando amores pelo caminho porque tive medo de sofrer. Posso aceitar o maior sofrimento do mundo, se isso significar ter o mais intenso e bonito amor. Então é  só isso. Tenho uma sensação diferente quando penso em você. Algo bom. Algo me diz que você será diferente de todos os outros amores que tive, de tudo o que eu já vivi. Por você eu mudo meus planos, minhas decisões. Por você eu escolho amar sem reservas. E se por acaso, algum dia, a dor se instalar no meu peito pela sua lembrança, não tem problema. Vou sofrer, mas isso só vai significar que eu te amei de verdade.

Pedro Araújo

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