Adeus

Sinto o vento da tarde, frio, entrando pela janela. Está nublado quando não deveria estar, não nessa época do ano, nesse início de mês. Às vezes tenho a sensação de que as nuvens escuras se solidarizaram com o meu coração e vieram fazer companhia. Pela janela do quarto, de cima da cama, eu vejo a chuva fina que cai lá fora. Cinza. A porta fechada, a solidão preenchendo meu quarto inteiramente. Tenho um sentimento que me invade de uma maneira que me faz querer dormir e só acordar depois de anos. São tantas lembranças que eu guardo aqui dentro que tenho a sensação de que sou apenas lembranças. Caminho pela casa vazia, olhando o jardim e tentando não pensar em nada, tentando não alimentar essa angústia aqui dentro. Debaixo da árvore da minha calçada a rua é deserta. O vento frio sopra o meu rosto e a água da chuva corre solta pela rua. Os pingos atravessam a árvore e vão de encontro aos meus cabelos. Meu peito aperta mais forte quando lembro de você. Fico assim parado debaixo da árvore sob a chuva, tento pensar coisas bonitas, mas só tenho lembranças, nem feias nem bonitas: lembranças. Dessas que apertam o peito. Volto pro meu quarto escuro. Sinto a solidão me abraçar. Tenho chorar e não consigo, a angústia aperta mais o meu peito. Sinto o choro,quero me diluir em lágrimas, me desmanchar, mas não consigo. É a saudade de você que se instalou aqui dentro e me deixa sem sentidos. Me deito na escuridão, sinto o frio do lençol. Ainda chove lá fora, uma chuva fina, o céu cinza. Minha alma está mergulhado num vazio. Abraço a solidão.

Pedro Araújo

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