Beirando a noite

Não é falta do que dizer, é apenas a falta de fala, ou de falar o que internamente não digo. Então repito o que disse e falo o que eu não queria dizer. Assim eu invento história, incentivo a prosa, gaguejo palavras, evito o que é prolixo e sabatino a bíblia, para que no final das contas eu possa te dizer:
– aqui dentro há guardado milhões de palavras desorganizadas, escrita em livros empoeirados que há séculos não foram lidos. E quando eu abro e tento ler para você, eu retrocedo. Arranco passos e logo percebo sua oratória dizendo “não vá embora”, fazendo-me assim compadecer. Então, sinto-me apunhalado, expurgado pelos fatos, atingido na virilha, caminhando sem convalescer. Sento-me sob uma pequena árvore, penso tanto que não reflito, respiro o ar que já não sinto, e caio dentro de você.
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