A velhice

A velhice, para mim, é benção; é concluir da vida; é olhar o retrovisor, ver o passado com erros e acertos, dor e alegria, felicidade e tristeza. A velhice, neste novo começar, é contemplação, é mansuetude, é calma e introspecção.
Estar velho é alegria de ter filhos adultos com os quais me aconselho. É ter netas, em quem recomeço. É sentir a alegria incontida da família, de compreendê-la, e de compartilhar a alegria e sofrimento.
Estar velho, com lucidez e sensibilidade, é estremado conforto.
Estar velho é compreender, como processo de aprendizado, o ódio que separa, que segrega, que animaliza, entendendo-o como oportunidade para o exercício do perdão em sua dimensão infinita.
A sabedoria da velhice é amar sem restrições; é perdoar sem medidas. O amor é imensuravelmente belo; o perdão, ao lado da caridade, é a maior expressão do amor.
Tudo, na fase da velhice, passa a ter sentido. A dor nos leva a compreensão da fragilidade humana; a ingratidão, o valor imensurável do perdão; o orgulho nos faz entender a pobreza de espírito; A riqueza, farta e opulenta, nos faz refletir sobre a fome e a miséria, revelando a nossa pequenez ou a altivez.
Os cargos ocupados são oportunidade de espargir o bem.
Aprendi, ainda que com sofrimento e dor, o valor do amor, da amizade e da família.
Aprendi, também, que o amor aos filhos não tem dimensão, nem finitude.
Aprendi, ainda, que não se consegue, tal Charles Chaplin nos ensinou, agradar a todos, por mais que se esforce.
Aprendi que o diálogo é a melhor forma de enfrentar conflitos, e que tudo ao seu tempo será resolvido.
Aprendi que odiar não vale a pena e que o amor, por mais que o expliquemos não será explicado.
Aprendi que sorrir, amar, perdoar e compreender nunca fará mal.
Aprendi que nunca se deve parar de sonhar, mesmo se estando velho; que desejo e sonho são coisas diferentes. Desejos são intenções, sonhos requerem estratégia, disciplina e esforço.
Passei a compreender, nesta fase da vida, os impulsivos e apressados, raivosos e inquietos, também fui um deles.
Ainda, confesso, continuo aprendendo, em mais de seis décadas de existência.
Essa idade me permite chorar sem esconder o choro; pedir ajuda sem vergonha da fragilidade; ouvir a música pedindo silêncio para escutá-la. Essa idade me permite passear sem pressa; ver beleza no dia de chuva e ficar, no domingo pela manha, vendo fotos antigas e achando que é o melhor programa do mundo.

 

Geraldo Magela Pirauá

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